Ivan Lins e Vítor Martins



No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos na rua, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver

O sopro do criador numa atitude repleta de amor
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Eu fico com a pureza da resposta das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar, e cantar, e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz.
Ah, meu Deus! Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!
E a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Mas e a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo,
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo,
Há quem fale que é um divino mistério profundo,
É o sopro do criador numa atitude repleta de amor.
Você diz que é luta e prazer,
Ele diz que a vida é viver,
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é, e o verbo é sofrer.
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé,
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser,
Sempre desejada por mais que esteja errada,
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte,
E a pergunta roda, e a cabeça agita.
Fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
É a vida! É bonita e é bonita!
O que é, o que é?
Gonzaguinha
Canto por um Brasil melhor. Uma vida mais prazerosa. Mais justiça. Menos miséria. Menos dor.
Mais amor. Sáude e sorte. Muita música e poesia na vida de todos. "A gente não quer só comida"
Feliz Natal!
Milton Nascimento
Doido pra ver meu sonho se realizar

Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria, muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser a amizade
Quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Vou sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim, dizendo a minha utopia, eu vou levando a vida
Eu vou viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso, um dia, se realizar
Boas Festas a todos!
Brasil, mostra a sua cara!
O brasileiro não está feliz e satisfeito com o país que têm. O cartão de crédito de muita gente é uma navalha e nem tudo é divino e maravilhoso. Cazuza, como poucos, soube cantar as mazelas existentes sem manter-se à parte. Ele era rico, mas não mesquinho - como ele mesmo cantou. De certa forma, fazia parte das minorias, dos excluídos e daqueles que ainda vivem em condições precárias ou na miséria, que sofrem com o preconceito (de toda espécie: cor, sexualidade, condição socioeconômica etc.), que não têm oportunidades. Nada individualista, não lavou as mãos. "Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro, transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro". O poeta está vivo e, infelizmente, a triste realidade brasileira também. Manter-se intocável em relação ao próximo é, no mínimo, uma atitude egoísta. Impossível não ter olhos de enxergar tanta injustiça e desigualdade. Sobretudo, nós internautas: somos privilegiados. Sim, temos acesso à informação e à cultura, temos um computador, que ainda é artigo de luxo em nosso país!, temos consciência de nossos direitos e deveres - ao menos, deveríamos. Enfim, eu poderia enumerar dezenas de vantagens em relação à maioria desse país. Como Cazuza, encontro nas canções o meu jeito de clamar por justiça e melhores condições de vida. Acredito que ser a música uma forma de as pessoas exporem seus sentimentos, sem culpa, sem medo e com vontade de contribuir por uma país mais justo e igualitário. Acredito ser possível menos individualismo e mais coragem. Eu vejo o futuro repetir o passado. O tempo não pára.
NA CAPITAL FEDERAL: A DISTÂNCIA ENTRE A MISÉRIA E O PODER

Esplanada dos Ministérios - aprox. 1 quilômetro
Foto: © 2003 xenïa antunes. Série Excluídos
Burguesia
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do country
Quer ir a New York fazer compras
Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico, mas não sou mesquinho
E também cheiro mal
E também cheiro mal
A burguesia tá acabando com a Barra
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem ttranqüilos
E dormem tranqüilos
Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver poesia
Não vai haver poesia
A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver poesia
Não vai haver poesia
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O BRASIL é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua
Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo
A burguesia fede - FEDE, FEDE, FEDE
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Porcos num chiqueiro são mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive de seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal, no sinal, no sinal
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Nestes tempos difíceis em que a economia se submete ao capital estrangeiro e despontam políticos demagogos, falsos e charlatões, talvez mais adequada fosse a citação das lições de um grande jurista ou economista famoso, mas creio mais eficiente lembrar a poesia do músico, poeta e compositor Cazuza, que atinge com seus versos vigorosos o coração dos jovens.:
"A tua piscina está cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades..."
Paulo César Salomão, Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro,
em artigo publicado no Jornal do Brasil de 29 de outubro de 1999

O Projeto Cazuza foi criado para manter viva a imagem do cantor. É um espaço especial com seus livros, discos, composições, a máquina de escrever, fotos, prêmios da MPB e tudo que resgate a memória de Cazuza.
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Tempestade
Christian Oyens e Zélia Duncan
A tempestade me assusta como sua ausência
Você, raio humano, despencou na minha cabeça
E, desde então,
Grita esse trovão no meu peito
A chuva lá fora chove de fato
Enquanto sua ausência inunda meu quarto
E transborda na cama : agora eu entendo...
Meus sonhos são outros...
Enquanto não durmo, enquanto te espero
E chove no mundo, eu não me acostumo
Com a falta de rumo brasileiro
E esse tom de desespero
Que atingiu nosso amor
Penso no homem
Que dorme nas ruas do Rio
E agora flutua nos rios da rua
E os barracos na beira do abismo
Deslizam no cinismo da Vieira Souto
Meus sonhos são outros...
Enquanto não durmo, enquanto te espero
E chove no mundo, eu não me acostumo
Com a falta de rumo brasileiro
E esse tom de desespero que nos atingiu...
Enquanto não durmo, enquanto te espero
E chove no mundo, eu não me acostumo
Com a falta de rumo brasileiro
E esse tom de desespero
Que atingiu nosso amor
Por dentro dos túneis, no fundo do poço
Ninguém fica imune crescendo no esgoto
E nosso amor, sem risco e sem glória
Se escora na história do país do desgosto
Meus sonhos são outros...
Meus sonhos são outros...

Zélia Duncan começou a cantar profissionalmente no início dos anos 80, e sua estréia como solista aconteceu em 1987 no Botanic, no Rio, quando ainda adotava o nome artístico Zélia Cristina. Em 1990 lançou, pela Eldorado, o LP "Outra Luz", mas, insatisfeita, passou um semestre nos Emirados Árabes, cantando em um hotel. Voltou em 1992 e gravou uma faixa no songbook de Dorival Caymmi produzido pela editora Lumiar. Mudou o nome para Duncan (nome de solteira da mãe) e passou a ser incluída numa nova safra de cantoras que surgiu na década de 90, ao lado de Adriana Calcanhoto, Cássia Eller e Marisa Monte.
Em 1994 saiu o CD "Zélia Duncan", incluindo o hit "Catedral" (versão do sucesso da cantora alemã Tanita Tikaram), que jogou os holofotes sobre a violonista, compositora e cantora de voz grave. Em 1997 gravou "Intimidade", que a levou para uma temporada no Japão e Europa. No ano seguinte, é a vez de "Acesso", produzido por Christian Oyens, com maior teor folk e pop e com participações de Jacques Morelenbaum e do grupo Uakti. Depois, veio "Sortimento", o 5º disco de Zélia, no qual a cantora buscou novos parceiros (Rita Lee, Rodrigo Maranhão e Fred Martins) e gravou compositores veteranos (Itamar Assumpção com "Por que que eu não Pensei Nisso Antes", Braguinha com o samba "Na Hora da Sede", Arnaldo Antunes e Pepeu Gomes com "Alma", e John, do Pato Fu, com "Todos os Dias"). Surpreendendo faixa a faixa, o disco é uma prova agradável da diversidade pop. O mais recente trabalho é "Eu me transformo em outras", definido por Zélia como uma celebração ao ato de cantar.
Texto adaptado de Clique Music
Eu me transformo em outras












Alegria
Assis Valente/Durval Maia
Alegria pra cantar a batucada
As morenas vão sambar
Quem samba tem alegria
Minha gente era triste, armagurada
Inventou a batucada pra deixar de padecer
Salve o prazer, salve o prazer
Da tristeza não quero saber
A tristeza me faz padecer
Vou deixar a cruel nostalgia
Vou fazer batucada
De noite e de dia
(Vou sambar)
Esperando a felicidade
Para ver se eu vou melhorar
vou cantando, fingindo alegria
Para a humanidade não me ver chorar


Principais sucessos de Assis Valente
Alegria, Assis Valente e Durval Maia, 1937Saiba mais:
História do samba - Renato Marques
O Brasil dá samba? - Adalberto Paranhos
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